Categoria: Cartas e declarações

  • Instituto Eqüit participa de Reunião da Sociedade Civil sobre Tributação e G20

    Instituto Eqüit participa de Reunião da Sociedade Civil sobre Tributação e G20

    A Reunião da Sociedade Civil sobre G20 e Tributação Internacional, ocorrida nos últimos dias 22 e 23, foi resultado de convite feito pelo Ministério da Fazenda do Brasil a diversas organizações da sociedade civil, nacionais e internacionais, para contribuírem com suas demandas ao tema da Tributação Internacional, por ocasião da presidência brasileira no G20. 

    É a primeira vez na história que a Trilha Financeira do G20 acolhe demandas da sociedade civil e é também a primeira vez em que se discute a taxação de grandes rendas e riquezas nesse fórum, dois grandes avanços conquistados pela liderança brasileira. As instituições presentes reiteraram a importância da taxação dos super-ricos, medida que vem sendo defendida pelo Brasil, na Trilha Financeira do G20, baseada em proposta do economista Gabriel Zucman (Comissão Independente para a Reforma da Tributação Corporativa Internacional / Observatório Fiscal da União Europeia), consultor do governo brasileiro para o assunto.  

    O evento contou com mais de 120 participantes, e as entidades entregaram ao final uma carta ao Ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, com uma série de recomendações para a reforma da tributação internacional, ressaltando a importância da progressividade tributária, da taxação de grandes rendas e riquezas, do combate à elisão e evasão de divisas para o exterior, da tributação da economia digital, de combustíveis fósseis e demais produtos danosos, da garantia de direitos humanos e de objetivos ambientais como balizadores da tributação, e de espaços internacionais democráticos, como a UNFCITC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Cooperação Tributária Internacional).
    Os dois dias de evento tiveram quatro mesas de debate, com a participação de membros do Ministério da Fazenda, da Autoridade Fiscal do Brasil, e de instituições da sociedade civil, dentre as quais Inesc, Center for Economic and Social Rights (CESR), Instituto de Informação e Negociações Comerciais da África Austral e Oriental (SEATINI), CUT, Latindadd, OXFAM, Gestos, Tax Justice Network, Internacional de Serviços Públicos e Centro de Pesquisas em Macroeconomia das Desigualdades (MADE-USP), bem como diversas intervenções do público, em nome de movimentos sociais de mulheres, imigrantes, população em situação de rua, dentre outros.
    Destacamos algumas falas dos debatedores e do público.
    Antonio Lisboa, da CUT, lembrou dos países menores, que não participam do G20: “trabalhadores de outros países nos fizeram um apelo para que o G20 e o L20 [grupo do G20 que representa os interesses dos trabalhadores] olhe para aqueles que não fazem parte do G20 e que serão afetados pelas decisões aqui tomadas. Faço um apelo também para que esse processo tenha continuidade, uma vez que o G20 parece que inicia discussões que se desenvolvem ao longo do ano e terminam ao fim do ano.” Ressaltou ainda um fato triste da nossa época: “parece que a única instituição multilateral que se fortalece no mundo é a OTAN, o que é uma vergonha”.
    Adrian Falco, da Rede Latindadd, lembrou que de nada adianta estabelecer um imposto mínimo global se a base tributável é enviada para o exterior. “De que base tributária estamos falando?”. Além disso, atentou para o fato de que a política é que norteia as questões técnicas, e portanto, a nossa discussão deve ser primeiro política, depois técnica.
    Maria Emilia Mamberti, do Center for Economic and Social Rights (CESR), disse que para além do debate sobre tributação de empresas, é fundamental falarmos dos impostos às pessoas físicas, algo bastante subaproveitado na nossa região, a América Latina. Ressaltou ainda que é necessário descolonizar o sistema tributário e mover as discussões para a ONU que é um ambiente minimamente democrático, diferentemente da OCDE.
    Flavio Lino, Secretário Municipal do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), salientou que nos 17 ODS não há nenhum específico sobre a população de rua, uma população de mais de 150 milhões ao redor do mundo e que está sendo severamente afetada pelas mudanças climáticas. Argumentou que o Brasil e o governo Lula são vanguarda na defesa dos direitos da população de rua, mas que faltam esforços no âmbito do G20 em prol dessa população.
    Pedro Rossi, professor de Economia e diretor do Think Tank Transforma, salientou a importância de trazer a dimensão da garantia de direitos para o debate fiscal, uma vez que desigualdade é algo sempre relativo enquanto direitos são absolutos. Assim, para além de diminuir a desigualdade, é fundamental estabelecer que se houver direitos a serem garantidos, recursos financeiros e materiais devem ser mobilizados para tal.
    Adhemar Mineiro, da Rebrip, falou sobre a importância de que o debate sobre taxação progressiva esteja conectado à um modelo comprometido com o desenvolvimento e não com a austeridade. Dão Pereira Real, do Instituto Justiça Fiscal, ressaltou que esse é um debate que deve ser apropriado pelos movimentos sociais e pela sociedade civil, uma vez que os super ricos não irão taxar a si mesmos. Observa ainda o fato de que há décadas não conseguimos resolver dois problemas básicos no país, o da taxação de grandes fortunas e o retorno da taxação de lucros e dividendos. Finaliza ressaltando que em dados do ano passado, R$ 670 bi foram distribuídos como lucros e dividendos de forma isenta, apenas para brasileiros.
    A economista do Instituto Eqüit e da Rebrip, Isabela Callegari, participou como debatedora da proposta de Gabriel Zucman, de um pacto internacional para a tributação da riqueza, salientando os impactos nocivos do sistema tributário atual, regressivo, na vida das mulheres, agravados por um contexto de austeridade fiscal, privatizações e de crise dos cuidados, onde as mulheres, ainda responsáveis pelo trabalho de cuidados não remunerado, veem sua renda e tempo disponíveis encolhendo, ao mesmo tempo em que pagam cada vez mais pelos serviços privatizados e pagam proporcionalmente mais tributos, se endividando para sobreviver. A taxação das grandes rendas e riquezas não é apenas um passo imprescindível para a justiça social e ambiental, mas também, em termos macroeconômicos, é uma compensação aos juros da dívida pública que são pagos à parcela mais rica da população, e, dessa forma, a tributação dos ricos constitui também uma forma de equilibrar uma injustiça exacerbada pelo próprio sistema monetário.
    Livi Gerbase, do Centre for International Corporate Tax Accountability and Research (CICTAR), mostrou que, em cinco anos, apenas 5 famílias bilionárias brasileiras receberam R$22 bilhões de forma totalmente isenta, e Sergio Chaparro, da Tax Justice Network (TJN), argumentou que é falaciosa a ideia tantas vezes difundida de que países do Sul global seriam mais corruptos, uma vez que são predominantemente os países do Norte global que se beneficiam de paraísos fiscais e sigilo de informações.
    Os membros do Ministério da Fazenda presentes reiteraram que a taxação dos super-ricos em escala global é uma pauta prioritária para o governo na presidência do G20, e que estamos em um momento histórico propício, no qual a maioria dos governos se apresenta como favorável à proposta, a depender do seu desenho. Seguimos na luta para que não apenas se implemente uma tributação justa a nível global, como para que os recursos sejam investidos de maneira democrática e em prol de uma sociedade mais igualitária e sustentável.
    (Crédito Fotos: André Corrêa / Ministério da Fazenda)
  • Moção 2021 – VIII Assembleia Nacional da REBRIP

    Moção 2021 – VIII Assembleia Nacional da REBRIP

    Documento construído a partir das discussões que ocorreram na VIII assembleia nacional da REBRIP (dias 3 e 4 de agosto, de 2021).

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  • AMB – 25 ANOS

    Neste 12 de dezembro de 2020 celebramos os 25 anos da Articulação de Mulheres Brasileiras.

    Existir é, para nós, uma grande conquista.

    Fortalecemos nossa resistência! 💪🏿💪🏾💪🏽

    🙋🏽‍♀️ Por isso, convidamos você a ler a Declaração Política de 25 anos da AMB, que nos posiciona e marca nossa luta!!!

    🔎 Você pode acessar a Declaração de 25 anos no PDF abaixo e através do link: https://drive.google.com/file/d/1LLLeX5zSK5UW5Yy97qTLFq9s4kPMgAQ0/view

    [pdf-embedder url="https://newequit2.sevenserver.online/wp-content/uploads/2020/12/Declaracao-Politica-AMB-25-anos.pdf" title="Declaração Política AMB 25 anos"]

  • Comunidade Remascente de Quilombo de Alcântara ameaçada

    Comunidade Remascente de Quilombo de Alcântara ameaçada


    Em meio à pandemia, e passando por cima da própria Constituição de 88, General Heleno e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República querem remanejar terras legitimamente quilombolas para Base Militar entregue aos EUA recentemente

     

    [pdf-embedder url="https://newequit2.sevenserver.online/wp-content/uploads/2020/04/Pronunciamento-IEQUIT-Quilombolas-MA.pdf" title="Pronunciamento IEQUIT Quilombolas MA"]

  • Território: nosso corpo, nosso espírito

    Território: nosso corpo, nosso espírito

    Manifesto de apoio e solidariedade às comunidades da Amazônia

    Nós: mulheres, lésbicas, travestis, trans, indígenas, camponesas, indígenas, negras, afrodescendentes, comunitárias, faveladas, urbanas, trabalhadoras, latino-americanas e de todo mundo, nos unimos para repudiar as queimadas genocidas da Amazônia, que começaram no Brasil e se estenderam à Bolívia, Peru e Paraguai.

    A Amazônia é a batida pulsante da própria vida – que tem milhões de formas, mas é apenas uma – órgão vital do mundo: é o lugar onde uma força do cosmos, a luz do sol, é transformada em grande parte do ar que respiramos quase todas as formas de vida no planeta. A Amazônia é o lugar onde os minerais se transformam em terra e a terra é sustentada graças às redes que tecem suas árvores centenárias em seu seio que borbulha de seres grandes e pequenos ao longo dos rios. A Amazônia é o lugar onde os rios brotam de fontes que há milhões de anos ficam embaixo de quilômetros de rochas e fornecem a umidade necessária para viver na terra e para manter as árvores e seus milhares, milhões de animais e plantas. A Amazônia é o lugar onde a vida se faz e nos faz com o ar, a umidade e a regulação do clima. A Amazônia é o lar, a fonte de vida de centenas de povos indígenas que, por sua vez, a protegem da depredação de capital, dos capitalistas. São os povos que protegem a água de hoje e do futuro, os alimentos que muitxs nós comemos.

    A Amazônia e seus habitantes são a resistência ancestral à imbecilidade humana, ao antropocentrismo criminoso que gira em torno, é claro, do universal masculino. A Amazônia está sendo exterminada pela ação direta do capitalismo extrativista.

    Não aceitamos a violência ou as mortes a que os indígenas estão sendo submetidos e as comunidades que viveram durante séculos em cuidado mútuo com a selva e com todos os seres não humanos que a habitam.

    Nós: mulheres, lésbicas, travestis, trans, indígenas, camponesas, indígenas, negras, afrodescendentes, comunitárias, faveladas, urbanas, trabalhadoras, latino-americanas e de todo o mundo agradecemos e apoiamos a luta das amazônidas de mais 130 povos que promoveram a Primeira Marcha das Mulheres Indígenas do Brasil denunciando o aumento do desmatamento na Amazônia em 67% desde o início do governo terrorista-extrativista-patriarcal de Bolsonaro. Com o lema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, a marcha denunciou a urgência do cuidado com os vivos, das florestas e da água, e exigiu o fim da violência sexista e racista contra elas e contra as crianças.

    A Primeira Marcha das Mulheres Indígenas relata um novo tipo de luta pelo território, também entendido como o planeta em que vivemos e contra as causas capitalista-extrativista-patriarcal da mudança climática. Também vimos a força da Marcha da Margaridas que, alguns dias antes, reuniu trabalhadoras rurais, da floresta e das águas de todos os estados brasileiros.
    Nós, esses corpos feminizados que somos, rejeitamos a violência e o extermínio colonial do que existe e agradecemos às nossas irmãs amazônidas e camponesas porque a luta delas é nossa luta.

    Sabemos que os empresários e seus agentes causaram o incêndio. Eles promovem o desmate da floresta e deslocamento das comunidades para ampliar a fronteira agrícola e pecuária e favorecer a acumulação extrativista e genocida do agronegócio. Entendemos que se trata de uma forma de disciplinamento atroz, uma resposta desenfreada à energia alavancada em todo o mundo pela marcha das mulheres indígenas, guardiãs da selva e das formas de existência insurgentes que ela abriga.

    “Quando defendemos nossos territórios, nossos corpos e nossos espíritos, estamos também defendendo as vidas dos outros povos que habitam este planeta.” Assim disseram também várias das mulheres que caminhavam pelas ruas de Brasília com seus filhxs: “É na vida comunal que uma vida decente pode ser sustentada”. Com elas e para todxs, apelamos às organizações feministas de todo o mundo para que demonstrem e exijam que sejam tomadas as medidas necessárias para deter as queimadas.

    #NiUnaMenos
    #VivasNosQueremos
    #ForaBolsonaro
    #MachistasRacistasNãoPasarão
    #EleNão

    foto: trilceradio.com.ar

  • Acordo UE-MERCOSUL: tragédia ainda pode ser evitada

    Acordo UE-MERCOSUL: tragédia ainda pode ser evitada

    A REBRIP – Rede Brasileira pela Integração dos Povos, que há 20 anos vem discutindo e denunciando as diversas tentativas de acordos de livre comércio com a América Latina, mais uma vez alerta para a grotesca proposta prestes a ser assinada pelo Mercosul e a União Europeia.

    É preciso abrir os olhos dos movimentos da sociedade civil antes que mais essa tragédia seja aprovada no governo Bolsonaro.

    [pdf-embedder url="https://newequit2.sevenserver.online/wp-content/uploads/2019/07/Nota-REBRIP-Acordo-Uni%C3%A3o-Europeia-Mercosul.pdf" title="Nota REBRIP Acordo União Europeia – Mercosul"]

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  • Acordo de livre comércio: perigo anunciado

    Acordo de livre comércio: perigo anunciado

    Foto: reprodução

    Movimentos sociais do Brasil, do Mercosul e da União Europeia se encontram extremamente preocupados com o agravamento da situação ambiental e dos direitos humanos no Brasil.

    Em uma carta aberta, mais de 340 organizações da sociedade civil estão exigindo que a União Européia suspenda imediatamente as negociações do acordo de livre comércio com o bloco Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) com base na deterioração dos direitos humanos e condições ambientais no Brasil. A carta vai dirigida aos presidentes das instituições da UE antes da reunião ministerial na próxima semana em Bruxelas, onde os ministros das Relações Exteriores da UE e do Mercosul pretendem finalizar as negociações.
    Nesse sentido, o I. Eqüit assina a carta e alerta para os perigos do acordo que trarão um maior empobrecimento para as Américas.

    Leia a carta na íntegra aqui

    Fonte: https://s2bnetwork.org/letter-brasil-bolsonaro-eu-mercosur/
  • NEM UMA A MENOS

    NEM UMA A MENOS

    Buenos Aires, Argentina

    Apesar da chuva e do frio, milhares de mulheres se mobilizaram pelas ruas do centro de Buenos Aires, em uma nova convocatória do coletivo #NiUnaMenos (Nem uma a menos), que desta vez teve como eixo central exigir que se sancione a lei que instaure no país o aborto legal, seguro e gratuito.

    De todos modos, nesta quarta edição multitudinária contra a violência de gênero, também foram incorporadas reivindicações tais como “vivas e desendividadas nos queremos, o aborto legal, seguro e gratuito porque não queremos mais mortes por abortos clandestinos”.

    Grupos de manifestantes também marcharam frente à sede do Banco Central para repudiar o acordo com o FMI do governo de Mauricio Macri, para somar-se em seguida a multidão que já dominava as ruas.

    Deseo y revolución feminista

    Este mes de junio, por cuarta vez, volveremos a ocupar la calle para decir Ni Una Menos. Desde el primer 3 de junio, en 2015, el movimiento que se convirtió en marea arrasadora no ha parado de crecer. Cada vez somos más las que entendemos el feminismo como la casa de nuestras rebeldías, la que queremos habitar. Una casa donde cada mano esté tendida para la otra, porque hacemos cuerpo lo que declamamos: estamos para nosotras. En esa manera de estar, nos reconocemos en los pañuelos verdes que desde hace 13 años son el signo de la lucha por el derecho al aborto legal que, ahora mismo, por presión de la calle, por la capacidad del feminismo de darle cuerpo y sentido a esta demanda, está muy cerca de ser debatido y esperamos que aprobado en el Congreso de la Nación, mientras la discusión no para de profundizarse en los barrios, las casas y las escuelas.
    Ni Una Menos es contraseña contra la violencia machista y patriarcal y así se ha afianzado en muy diversos territorios a nivel internacional. Su clave está en la apropiación transversal de un grito colectivo capaz de conjugar el ¡Ya basta! que detiene y consuela las heridas en el propio cuerpo y de denunciar a la vez la opresión de las violencias económicas, políticas e institucionales que también son patriarcales. Así pudimos decir Ni Una Trabajadora Menos frente a los despidos constantes y masivos que imponen las políticas de ajuste. Dijimos Desendeudadas Nos Queremos frente a la expropiación de nuestro tiempo y nuestro trabajo por el disciplinamiento financiero. Ni Una Travesti Menos para dar cuenta de cómo los cuerpos disidentes son marcados de manera particular por el machismo. Ni Una Migrante Menos para denunciar las políticas del racismo institucional. La bandera Ni Una Menos se cuelga en las escuelas para reclamar Educación Sexual Integral y también se hace oír el Ni Una Menos por aborto clandestino. Ni Una Menos se dice contra el femicidio territorial en América Latina a manos de fuerzas represivas estatales y para-estatales: Marielle Franco asesinada en Brasil y lideresas comunitarias en Colombia, México, Ecuador, Honduras, Nicaragua y Perú.
    Esta manera de entramar y hacer cuerpo y voz lo personal y lo colectivo, lo político y lo doméstico (que también es político) habilitó una militancia al modo del tejido y del enjambre: una manera en la que hoy se anudan las experiencias y demandas feministas puestas en juego en territorios y cuerpos (y en cuerpos-territorios) concretos. Por eso, los pañuelazos por el derecho al aborto tienen una fuerza particular cuando se hacen en las villas, así como las asambleas tienen otra textura cuando son capaces de elaborar colectivamente los conflictos. Las geografías del movimiento feminista son sinuosas y múltiples: el llamado al paro resuena de otro modo en la Selva Lacandona cuando lo dicen las zapatistas y la educación feminista gana otra fuerza con las jóvenes con pasamontañas en Chile; festejamos con las irlandesas en la calle el triunfo del plebiscito por la legalización del aborto y nos unimos a la manada que impugna la justicia patriarcal y toma las calles en España. Seguimos nutriéndonos e investigando cómo se expande este nuevo internacionalismo.
    Pero el fervor por lo que venimos consiguiendo, por la disponibilidad de sentidos antes relegados a ghettos que hoy devienen masivos, abren a una necesaria interrogación y experimentación sobre nuestras formas de vida y de organización. ¿Qué significa ser feminista a la hora de enamorarse? ¿Cómo acompañamos la libertad de las adolescentes para poner en juego su deseo sin que sus derivas sean apropiadas por la maquinaria patriarcal que las sigue viendo como objetos de cambio? ¿Qué clase de justicia feminista podemos poner en juego cuando las denuncias por acoso sexual se dan entre adolescentes? ¿Cómo reparamos colectivamente las heridas de las que sobrevivieron a la violencia machista? ¿Hay alguna alternativa a la cárcel para los hombres violentos, hijos obedientes del patriarcado? Y frente a los femicidios cotidianos, ¿cómo profundizar la organización y la alerta?
    Necesitamos estar cada vez más atentas y cuidadosas con el dolor, con las formas particulares de violencia sexual contra las niñas y adolescentes, con los modos institucionales y clasistas con que se quiere de nuevo encorsetar nuestros debates y nuestros deseos. Porque no somos solamente víctimas pero el duelo no se termina, porque la respuesta misógina a nuestra autonomía es la crueldad que se imprime en los cuerpos feminizados. Porque todos los días hay un ejecutor dispuesto a terminar con la vida de una mujer o de una travesti como forma de disciplinarnos a todas y de reponer una autoridad masculina que se niega a pensarse a sí misma.
    El mundo que conocíamos, el mismo que queremos cambiar se resquebraja, y hacemos pie sobre tembladerales. Esto es signo de que lo estamos cambiando todo y a la vez de que necesitamos hacer lugar al duelo y al desconcierto frente a la ardua tarea de construcciones y horizontes revolucionarios que desconocemos pero que deseamos.
    La potencia de nuestro movimiento no es lo contrario al dolor si no una manera de reconocerlo, de advertir las heridas cada vez más profundas del racismo y del colonialismo, de los modos en que la crueldad intenta disciplinar a diario nuestros cuerpos a través de la violencia sexual, de la imposición de una belleza hegemónica y del permiso para habitar el mundo para unos pocos cuerpos supuestamente normales. La potencia no es un empoderamiento banal ni un triunfalismo que se agota en el gesto de declararnos juntas cuando estamos atravesadas por una crisis que es cambio de época. La potencia es estar juntas en la calle cuando marchamos pero también poder aliarnos con las pibas que hoy viven en la calle sin elegirlo y tienen que ponerse pillas, en medio de una trama de violencia que las abusa a diario. La potencia es estar juntas en la calle cuando marchamos pero también hacernos cargo colectivamente de que la represión se ensaña más cruelmente con las que están en la cárcel. La potencia es conocer y repudiar la crueldad judicial que condena a las mujeres que sufren violencia como cómplices del asesinato de sus hijxs, pero más aún la capacidad de organizarnos contra esa crueldad.
    La tierra tiembla. Verdaderamente la tierra se mueve bajo nuestros pies y lo sentimos día a día. Los umbrales de tolerancia frente a la violencia machista se han modificado sin vuelta atrás. El abismo que hoy se abre a las relaciones –especialmente las amorosas y familiares– intenta ser respondido sólo con moral punitivista o con protocolos que intentan calmar la incertidumbre. Necesitamos construir nuestros cuidados y nuestra autodefensa. Las formas de organización tradicionales ya no dicen nuestros anhelos de ocupar las ciudades y las casas de otro modo ni contienen las sensibilidades nuevas que derraman maneras diversas de sentir, percibir y pelear. El feminismo no es una moda, no es una remera, ni puede ser reducido a la demanda de cupos –aun cuando la paridad es una exigencia en todos los ámbitos de organización y de representación mixtos–. Tampoco es un lugar a ocupar en una unidad que no se cuestione el modo de construir política, de ejercer liderazgos y de representar a otrxs. No es tampoco reducible a un conjunto de demandas a incluir en una plataforma electoral.
    El movimiento feminista pone en el centro de la política la cuestión del deseo y eso no admite respuestas fáciles ni veloces. El deseo es también un terreno de disputa, de tensión, de contradicciones. Es un espacio de experimentación, de pliegues y repliegues. Dijimos que en este movimiento nos mueve el deseo. Y eso se lo disputamos al mercado, a las promesas de la publicidad, y a las agendas de género neoliberales. No es un deseo individual sino que se teje en la trama colectiva, que busca su espacio tiempo para realizarse, para encontrar sus bordes, para decir su nombre. Nos mueve el deseo de habitar esa casa feminista a construir a la vez que construimos comunidades. Nuestro deseo es también una apuesta de tiempo, el tiempo de esta revolución que es abierto y es ahora.
    ¡NiUnaMenos! ¡Vivas, Libres y Desendeudadas Nos Queremos!
    Junio 2018
  • Termina Cúpula dos Povos 2018

    Termina Cúpula dos Povos 2018

    Encerramento acontece com Declaração Final elaborada no encontro em Lima, Peru

    10 a 14 de abril de 2018

    Enquanto a Cúpula das Américas aconteceu sob muito constrangimento, ao elevar como tema central a corrupção, embora se realizasse paradoxalmente com a presença de vários governos envolvidos em escandalosos esquemas e denúncias de corrupção, e além disso, pela primeira vez desde a criação da Cúpula, sem a presença do presidente norte-americano, a Cúpula dos Povos foi, ao contrário, um espaço de amplo debate e participação de todos os países da América Latina e do Caribe.

    Aqui reproduzimos alguns trechos da Declaração Final da Cúpula dos Povos:

    “En Perú se han dado cita en el marco de la VIII Cumbre de las Américas la expresión de esas fuerzas neoconservadoras que tratan de recuperar hegemonía, cumbre ilegítima que no es la expresión de la ciudadanía latinoamericana y caribeña. Vienen a hablar de gobernabilidad y corrupción en un país en el que todos los presidentes peruanos de los últimos 30 años tienen cuentas pendientes con la justicia por crímenes cometidos desde el poder. Quieren continuar con sus políticas corruptas ahora impulsando las Asociaciones Público-Privadas para seguir sus negociados oscuros.”

    Y continúa: “los aires neoliberales vuelven a soplar fuerte en el continente, las políticas para avanzar en la precarización y desregulación del empleo se generalizan, avanzan en desmantelar los regímenes públicos de pensiones, promueven políticas de austeridad dirigidas a desmantelar programas de protección social, se reaniman las negociaciones para nuevos Tratados de Libre Comercio (TLCs).”

    Para definir a agenda de resistência continental contra o neoliberalismo:

    – Llamamos a enfrentar la arremetida contra las condiciones y derechos laborales de la clase trabajadora en el continente, rechazamos las políticas neoliberales que promueven precarización y desregulación laboral, exigimos trabajo digno/decente.

    – Nos oponemos a las medidas de austeridad neoliberal orientadas a reducir la inversión pública en programas de asistencia y de protección social.

    – Rechazamos las pretensiones de privatizar los regímenes de jubilaciones públicos para entregarle los recursos de millones de trabajadores y trabajadoras a los intereses privados corporativos.

    – Seguimos rechazando los Tratados de Libre Comercio y los Tratados de Protección de Inversiones, que son instrumentos a favor del poder corporativo transnacional y en contra de nuestros pueblos.

    – El derecho a la tierra sigue siendo hoy más que nunca el derecho inalienable de nuestros pueblos originarios y campesinos/as, la tierra debe ser para quien la trabaja.

    – Condenamos la violencia machista y la lógica de la impunidad con los feminicidios que peligrosamente se convierten en una práctica generalizada en nuestro continente. En nuestra agenda colocamos con prioridad la lucha por la igualdad de género. Sin igualdad de salarios para las mujeres, sin paridad en la participación política, sin igualdad de acceso a empleos dignos, sin respeto a sus derechos sexuales y reproductivos, no tendremos sociedades ni igualitarias, ni democráticas, ni inclusivas.

    – Condenamos la criminalización de la protesta social que se ha convertido en la acción generalizada en nuestros países, ocasionando decenas de víctimas de activistas sociales.

    – Seguimos luchando contra la lógica extractivista de nuestras economías y por modificar la matriz productiva de nuestros países.

    – Llamamos a enfrentar el fortalecimiento del fundamentalismo religioso que en alianza con el capital pretende volver al oscurantismo a nuestra América.

    – Rechazamos la utilización de los sistemas de justicia como instrumentos de persecución política contra líderes progresistas de América Latina.

     

    Manifestamos aqui novamente nossa inquebrantável solidariedade ao companheiro e Presidente Luis Inácio Lula da Silva, que enfrenta honradamente todo o aparelho da judicialização da política e o ódio das elites brasileiras incentivado por uma mídia desonesta, por ser elemento referência dos oprimidos e excluídos no Brasil.

     

    A seguir, a declaração completa

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  • MARIELLE, PRESENTE!

    MARIELLE, PRESENTE!

    Não nos calaremos

    Nota de pesar

    A rajada de balas que silenciou Marielle atingiu todas nós que sonhamos e lutamos por um mundo melhor.

    Silenciaram esta mulher corajosa que dedicava sua vida ao trabalho contra a violência, pela paz e justiça, sobretudo para seu povo negro, pobre, oprimido e alvo de uma política de extermínio. Silenciou sua incansável energia, sua luta, mas não silenciou e nem silenciará seus e suas companheiras de partido, de movimento de mulheres, de movimento social por Democracia neste país.

    Consternadas, estamos juntas recobrando forças para seguir adiante. À família de Marielle nosso profundo sentimento de pesar. Saibam que Marielle vive em nossa revolta, inspirando e alimentando nossa trajetória de luta por um mundo melhor.

    Viva Marielle!

    Articulação de Mulheres Brasileira – AMB Rio

    Rio de Janeiro, 15 de março de 2018